Ir

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 Queria ter o dom de um poeta ou de um pintor...

Queria poder emoldurar tua face para todo o sempre, com algumas incertezas.


Tu és um furacão que eu nem vejo acontecer;

Que eu sinto muitas vezes que não é pra valer.


Queria entender tantos pormenores,

Mas o fato é que eu mal entendo tuas vírgulas,

Tão cientes que eu não ocupo tua vida.

Não entendo.


Minha incerteza às vezes encabula,

Mas, de certo, sabendo que nada muda,

Eu deva me deixar ir, como estou indo, a cada dia.


Ir, nada mais é do que uma ação.

"Vamos embora" é um ato.

Simbora, um fato.

Respira

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E o que é o passar,

Senão desacreditar de quem devemos acreditar?

Ou mesmo apreciar o tempo com alguns em minha volta?


E o que é viver,

Senão amar e ter um pouco de amor de volta?

Ou de repente um pouco de amor em troca?


E o que é respirar?

E o que é pensar?

Quando penso é que respiro,

Mas quando respiro não penso.

E quando penso não respiro,

E quando respiro é que penso.




Gorjeta sentimental - Puzzl

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Eu não nasci pra viver de gorjeta;

Eu também não pego gorjeta pra viver.

Eu vivo contra todos os fantasmas;

Morro contra todas as vivas almas.


Eu sou um Puzzl.

Renasço como quem não morreu,

Me crio como quem nunca fui eu;

E vivo como quem se reestabelece.


Do raso e do meio,

O profundo acontece.

Do alto, sagrado, quem fala

Merece.

Quem sente falta,

No fundo, obedece.


Obedece.

Uma audácia

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Gostaria de entender o que aqui se passa.

Sinto absurdas saudades do passado,

Mas sinto absurdas vontades de futuro.


Sinto que existe uma incessante luta

Pelo que se passou e o que hoje se apresenta.

Algum tipo de querela e disputa

Que a minha solidão às vezes ainda inventa.


Gostaria de romper passados,

Futuros subversivos e adversos.

Transformar toda essa vontade

Sem abcessos; libertar-me dos excessos.


Gostaria ainda de inventar;

Ter a audácia de fazer algo.

De repente me soltar...

Sem pensar.

Ciúme

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Nada mais poético do que o ciúme;

Jamais abrirei mão de o sentir.

Jamais abrirei mão de sentir.


A minha vida é um quebra cabeças ao contrário

Acontece em algum lugar onde o sentimento é raro.

Um quase soneto ao contrário

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Um sentimento sem sentido
E, quem sabe, talvez até autoritário
A alegria na ausência do sorriso

A mergulhar em rio raso
Uma vida plena de estímulo
Que, de certo, engana até o pecado

Que me obriga austeramente a mentir
E do perdão me faz cordialmente desviar
Ainda bem! Não nasci pro céu, devo admitir
A salvação talvez seja me desviar

Quem sabe hoje posso fingir
O óbvio talvez possa desmantelar
A revolução de vermelho tingir
Pra nessa confusão me (des)enquadrar

Aborto

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 A vida é um aborto

O resgatar de uma confusão


Um ato de desistência

Um ato de resistência

Um ato de insistência


Então é renascimento.

Um Culto à Mediocridade

Daqui escuto lindas injúrias incultas

Onde bravos pastores vociferam palavras bonitas

São contra tudo e contra todos os que fazem.


Eles não fazem nada de ruim; nada de mal

Eles são bons; comandantes da moral

Eles não fazem nada de feio; nada ilegal

Eles são os tais; o caminho do bem, afinal.


Daqui escuto verdades que parecem calúnias

Abrem ditos livros sagrados e condenam pecados

São arautos de palavras infames aos incautos.


Elas obedecem e evitam como devem, 

O passo falso não é difícil e aderem

O passo fácil que é verdade e com dificuldade

O mundo perfeito que é o Jardim do Éden.

Excessos

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O céu daqui sussurra alto

Alto como um argumento pífio

Que cochicha como quem nada diz

Que fala como quem se lamenta


Daqui nada se escuta

Tudo se esvai

É onde o inatingível sofre

Quando o motivo tem explicação

Quando o mote é a própria punição


A liberdade está num cofre

Sem a chave de acesso

Daqui de dentro se grita melhor

E eu não conheço os excessos

O seco e o vazio

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Minha mente é histérica;

Meu corpo é a certeza que

Corpo e mente não são duplos.

Sinto a paz dos que não dormem;

Alimento-me do manjar dos que enjoam;

O asco sou eu dos que me enojam;

Sou o vazio que pensa que está cheio;

Penso no exercício dos que param;

No andar dos que pairam;

Sou o vazio seco.

Sou o seco.

Sou o eco.

O vazio.

Talvez.

Ex.

Que me parece?

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O que me parece?

O que me apetece?

O que me perece?


Que mundo é o meu?

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Que mundo poderá ser o meu se a única possibilidade sou eu mesma?

Pergunta(s)

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Que será que eu sinto?
Que será que eu penso?
Será que o que sinto é o mesmo que penso?
O que penso é o mesmo que sinto?

Que será que somos?
Que seremos?
Onde estamos?
Para que lugar iremos?

Camões

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Sempre contestei Camões,
Mesmo sem o menor lastro para tanto,
Pois jamais fui capaz de entender o porquê
De ser o amor uma ferida que dói e não se sente.

Dizia, cheia de razão, que o amor não dói.
Camões, seu louco! Como podes dizer tais bobagens?
De repente, percebi que Camões amou.
E Camões descreveu o amor.

Amor é medo, é fuga, é coração palpitando.
É um contentamento descontente,
E é dor que desatina
E que se destina a quem de bom coração é.

Soneto à outra parte de minh'alma

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De quase tudo me sentia incompleta;
Andava perdida a vagar em meus sonhos.
Com matéria vazia, mas de alma repleta,
E tua miragem modificou meus planos

Por meu coração esperei por mil anos,
E, de tanta demora, duvidei até da eternidade,
Foi quando tu viestes como um anjo,
Que concede a mim toda a liberdade.

De meu passado, pouco sei;
Como se nunca tivesse me encontrado.
Meu futuro jamais planejei,

E não saber parecia o melhor estado.
Em meu presente é que me encontrei;
É tudo mais do que eu havia sonhado.

Soneto do amor meu

Por todos os dias, por cada segundo,
Cada segundo que passo admirando você.
Por todas as vias, és mapa de meu mundo,
E todos os outros segundos à espera de te ver.

Em fatos reais e naqueles inventados;
Vejo-te em todos os espaços e margens,
Por todas as datas, por todos os fatos,
Em ponto fixo ou em outras paragens.

És a realidade dos meus sonhos,
A inspiração desta palavra libertada,
Personagem primeira de meus planos.

És a outra parte inteira de minh’alma,
Metade da noite sonhando; outra acordada.
És tu quem desperta meu sono nas madrugadas.

Locomotivas

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Locomotivas passam entre os vãos de multidões
A fumaça ascende aos céus, embaraçando o ar
Os carros tonteiam para lá e para cá
Os sorrisos são invisíveis em meio a multidão.

Rostos passam no ano pelas quatro estações
E na vida cotidiana são anos a fio
Com profunda inteireza, mas meio vazio
Pessoas caminhando sem identidade.

Paira a necessidade de repetir, de mal respirar;
O martelo bate lá e bate cá, o barulho ensurdece
Indústrias que fabricam o que não posso comprar
Coração emudecido e sufocado pelo padrão.

Neste turbilhão encontramos uma ou duas pessoas.
Às vezes nem as percebemos e isso nos sufoca;
É a ignorância de nunca ter conhecido alguém
Então de que te defendes se, no amor, não há perigos?

No vai e vem esbarramos em alguém, e identificamos
Retirar dos padrões e dar relevo é arriscar;
E a buzina da locomotiva anuncia, no outro dia,
Que os trilhos da vida cotidiana podem ser desviados.

Minha florzinha rara

É um amor tão bonito, esse meu;
Ressignificou tudo, em meu eu.
É uma compreensão tão bela, eu e ela;
Eu faço tudo pensando... Nela.

Ela me liberta dos meus medos;
Dos grilhões, das prisões de minha mente.
Ela me acalma em seu peito,
E, silenciosamente, me diz o que é respeito.

Ela me abraça e o mundo para, meu coração dispara.
É como se tudo girasse em torno de nós.
Retirando os nós de nossos pulsos,
Os anseios de nossas almas
E preenchendo de desejos as nossas vidas.

Desatino

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Com meu caso, caso;
E minha vida, vejo;

Por meu amor, peco;
Um gole, peço;

Em pecado desatino,
Destino.

Santíssima força;
Forca.

Que me sufoca,
Lota.

E que me enche, treme;
Uma vida, beijo.

Desserviço

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IDIOTICE
IDIOT
IDIO
ÓDIO.