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Ir

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 Queria ter o dom de um poeta ou de um pintor...

Queria poder emoldurar tua face para todo o sempre, com algumas incertezas.


Tu és um furacão que eu nem vejo acontecer;

Que eu sinto muitas vezes que não é pra valer.


Queria entender tantos pormenores,

Mas o fato é que eu mal entendo tuas vírgulas,

Tão cientes que eu não ocupo tua vida.

Não entendo.


Minha incerteza às vezes encabula,

Mas, de certo, sabendo que nada muda,

Eu deva me deixar ir, como estou indo, a cada dia.


Ir, nada mais é do que uma ação.

"Vamos embora" é um ato.

Simbora, um fato.

Pergunta(s)

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Que será que eu sinto?
Que será que eu penso?
Será que o que sinto é o mesmo que penso?
O que penso é o mesmo que sinto?

Que será que somos?
Que seremos?
Onde estamos?
Para que lugar iremos?

Desserviço

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IDIOTICE
IDIOT
IDIO
ÓDIO.

Quando eu...

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Quando eu começo um desafio novo, fico morrendo de medo de não conseguir suprir as minhas expectativas, mas o tempo passa e, pouco depois, vejo-me completamente absorvida por algo que, até então, parecia-me impossível.

Eu amo a segunda-feira

  • 0
Não é somente um dia da semana

Sou do signo de “extremos”;
tenho ascendente em “incômodos”.
Sextas, as sextas, sempre boas;
a segunda-feira, minha amiga, sempre um inferno.
Mas não é a "segunda",
o inferno são os outros, alguém já disse.
Linda é a segunda.

E agora?
Podemos falar de sextas tristes?

Saber

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Ela não sabe se o tempo fica ou se passa,
Nem sabe o que é, nem sabe se é
Só sabe que é.

Mote

  • 3
Acredite-se.
Acredite-me.
Não gosto de problemas inventados.

Mais dúvida

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Minhas dúvidas caminham a poucos centímetros de um lugar sem nome.
Eu não tenho nome.
Eu sou o meu lugar no universo;
Meu espaço é minha abstração.

Dúvida

Olhos para ver o mundo,
Ouvidos para ouvir música,
Ou coração para escrever poesia?

Efêmero

  • 1
E quando tinha pouca idade física eu escrevi que “gostar é efêmero”, mas nunca soube o que é uma coisa efêmera e também não pesquisei, pois se pesquisasse eu tiraria dessa frase o mistério do qual preciso para viver. É efêmero, mas pouco importa o que é efêmero, o que importa é o que é. E sou. E se ganho sorrisos é porque de graça é que as coisas parecem mais sinceras.

A caminhada

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O que me move é a insatisfação.

Cronos ou Kairós?

  • 0
Talvez nosso tempo já tenha passado.

Entre a posse e a contemplação
Escolho lhe contemplar.

E nosso tempo talvez ainda esteja por vir.

A contemplação me parece mais eterna
Do que a companhia do que é real.

Talvez nunca tenha existido.

O que é real é composto de matéria,
Ainda que seja uma matéria imaginada.

Tampouco venha a existir.

E a realidade é a eterna solidão.
E estar em segundo lugar me permite almejar o primeiro.

Talvez minha alma já respire nosso tempo.

Se estivesse em primeiro, só poderia pensar em cair,
E em qual lugar?
Prefiro a falta de lugar em vez da rigidez sob meus pés.

E(u)rro(ei).

  • 1
Eu, filho da vítima que sou e do assassino de mim mesmo.
Que sou eu além do orgulho insuspeito estampado na face?
E o tempo me diz:
- O que fazer, o que pensar de errado?

E, de vez em quando, gosto de pensar que sou importante:
Sou o principal em alguma coisa perdida no tempo estranho de minha mente.
- O erro sou eu.
Sou a representação inquieta e quase apostólica do erro.

Dizer que até o errado é muito para mim é errado também.
E é errado porque de tanto saber de minhas linhas descompassadas
Percebi que de fato elas existem.
Sou dois:
Sou o maior erro e a maior percepção do erro.

O Silêncio do Universo Infinito*

  • 1
Existem pessoas boas,
Existem pessoas más,
Existem pessoas vazias,
Existem pessoas com nada,
Existem pessoas com tudo,
Existem pessoas completas,
Existem pessoas pensantes,
Existem pessoas coadjuvantes,
Existem pessoas capazes,
Existem pessoas surpreendentes,
Existem pessoas baixas,
Existem pessoas altas,
Existem pessoas orgulhosas,
Existem pessoas modestas,
Existem pessoas falsas,
Existem pessoas verdadeiras,
Existem pessoas oportunistas,
Existem pessoas inteligentes,
Existem pessoas espertas,
Existem pessoas ignorantes,
Existem pessoas indiferentes,
Existem pessoas insuportáveis,
Existem pessoas agradáveis,
Existem pessoas vilãs,
Existem pessoas dramáticas
Existem pessoas caladas,
Existem pessoas silenciosas.

Existem até pessoas boas.
Existem até boas pessoas.
Existem até pessoas más.
Existem até más pessoas.

* O título desse escrito faz referência aos pensamentos de Blaise Pascal.

(Des)luto

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“Erva Venenosa (Poison Ivy)” é quarta música do disco “3001”, lançado no ano de 2000, de Rita Lee Jones. Foi a primeira canção que escutei da maior diva do rock brasileiro. Começou, então, algo maior que um casamento, pois sempre tive a garantia de fidelidade. Isso só parte de mim. E sou segura do que sinto sempre que sinto. Alguns momentos foram de profunda loucura e idolatria, em outros estive mais contida, mas não com menos loucura. O grande problema é que nunca havia imaginado que Rita Lee existia de verdade. Como disse Lispector um dia: “a vida é sobrenatural”, e foi assim que sempre vi a minha diva Lita Ree. Para minha surpresa – Susto! – Descobri que ela é real na última música de seu primeiro show que assisti. Aquele solo de “Ovelha Negra” é tão surreal que parece mentira. Aquilo arrepia a alma. Ela existe. Sou “fãmília” de alguém de verdade, como se um dia eu tivesse duvidado de minha imaginação...
“São coisas da vida e a gente não sabe se vai ou se fica” são dizeres de minha canção favorita. E advinha quem canta? Mas não há luto na música e muito menos em mim. É mais que um casamento, não?
Quaisquer outras palavras cairiam mal, não é possível descrever o sobrenatural. São coisas que só quem sente sabe como é. E eu sinto, sim! Sinto Rita Lee.

Keidy Lee.

Os pontos são lacunas

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Ela é personagem principal de uma vida coadjuvante.
É motivo de orgulho, mas só pra ela mesma.
Anda desfigurada, mas se acha muito bonita.
É adepta da ideia de que a beleza vem de dentro.

E quando consegue uma felicidade qualquer
Não consegue aproveitar,
Pois pensa no que ainda tem para fazer.

Ela não vive os momentos,
Ela vive do futuro que para ela já existe,
Mas todos sabem ser utópico.

Ela bebe sozinha por falta de amigos.
E só bebe acompanhada quando paga tudo.
E só está acompanhada quando desperta um interesse qualquer.

Só não entendo quais!
Ela não é bonita, não é inteligente,
- E rica?
- Não, não é.
Pode ser facilmente substituída,
Mas raramente é chamada para compor sequer a reserva.

Ela não é sociável, não sabe contar piadas,
Mas deve ter lá seus atrativos,
A vida seria muito injusta se lhe privasse de pelo menos um sorriso forçado.

E ela ainda morre de satisfação,
Pois o que não morre é a insatisfação.

O diálogo da não interpretação

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Essa é uma poesia de...
Dominação!
Parece tendenciosa...
E é!

O diferente (que é singular)
Sempre domina os iguais (toda a unanimidade).
A unanimidade é cega.

Do que se trata esse texto, então?

Os versos não rimam,
Não estão organizados,
Não se combinam,
E não são bem tratados.

Frases expostas,
Sem nexo algum,
Situações desligadas
Frases compostas e
Anexadas.
Figuras interligadas,

Rimas mal feitas,
Situações imperfeitas.

E até a rima mais previsível foi usada nas duas estrofes anteriores.

E no fim, há mensagem?

O diferente (que é singular)
Sempre domina os iguais (toda a unanimidade).
A unanimidade é cega.

Escrever é o ópio do povo*

  • 1
Existem algumas situações inspiradoras. Não sei de quê,
É como se fosse necessário expulsar algo de tal maneira que a inspiração chega a ser grotesca, já que é forçada. Não por mim! Por ela mesma.

Faz tanto tempo que não escrevo que é como se perdesse a maneira,
Mas para escrever não existe um manual.
Talvez estivesse guardando, não que agora esteja me revelando,
Rebelando,
Libertando,
É uma necessidade. Libertar-se de si mesmo é fundamental.

Talvez seja esse o grito da alma oprimida.
O ópio.

*Referência a frase de Karl Marx.

(A Falta de) Poder

  • 1
As velas acesas e escuras não permitem que eu enxergue os dois passos que se seguem.
Sua sombra se repete sob o testemunho do sol.
Oh, deuses!

Posso far finta di star bene ma mi manchi. Ora capisco che vuol dire averti accanto prima di dormire. Mentre cammino a piedi nudi dentro l’anima.

O poder de manipular o tempo ainda não me foi dado, embora, às vezes, eu tente fazê-lo. E até o ato singelo de respirar me aflige. Como eu queria ter a oportunidade de...

E a culpa que me bate, será que não fabriquei oportunidades?!
Deveria ser menos técnica, menos racional?

Não... Não foi porque eu não sou. Não me tornei e, confesso, não pretendo mudar por esses motivos. A bem da verdade se soubesses...

Mi manchi e potrei cercarmi un’altra donna ma m’ingannerei. Sei il mio rimorso senza fine, il freddo delle mie mattine. Quando mi guardo intorno e sento che mi manchi.

Mas é que esse racionalismo!
Oh, Deuses!
E agora?!

Eu não vou mudar... não por isso, não por causa disso. Mas resolvi mudar.

* Os trechos em italiano são da música “Mi Manchi” do magnífico tenor italiano Andrea Bocelli.
Tradução:


Posso fingir que estou bem, mas sinto tua falta. Agora entendo o que significa te ter junto a mim na hora de dormir. Enquanto caminho descalço para dentro da alma.


Sinto tua falta e poderei procurar outra mulher pra mim mas eu enganaria a mim mesmo. És meu remorso sem fim, o frio de minhas manhãs. Quando olho à volta e sinto que como me fazes falta.

Reparos em duplo sentido

  • 7

Reparei que a lua é linda em suas múltiplas faces
E, não apenas quando se torna plano de fundo
Para um casal de apaixonados.

Reparei que a poeira se mistura às sensações
E que essas sensações são traços perdidos a cada segundo.
É única e por isso é plena.

Sentimento repetitivo é um passo ao indeciso,
A minha mais bela coletânea e o seu clássico sabor
Apresentam-se despidos.

Não há necessidade de olhar o céu como uma obrigação do amor,
Não é preciso pensar mais calmamente,
Pensar pulsantemente como uma obrigação do amor.

Esse amor que o mundo me mostra
É na verdade o que o obrigo a sentir,
Por desprendimento, por equilíbrio,
Mas não por obrigação.

Por obrigação devemos olhar o céu, pensar calmamente,
Infinitamente pulsar, talvez titubear,
Levantar e lutar.

Não por obrigação do amor,
Não porque o momento é singelo,
Mas porque é preciso viver.

Não esmaguemos as entrelinhas esperando boas sensações.
Somos sim, capazes de escrevê-las.