.

07 Julho 2009

Parentes de Primeiro Grau

Do nada tudo se decifra e, é do nada que entendemos a precisão de romper com o sangue que jorra. Somos filhos da iminência, adoradores da magnitude.
Acabei de quebrar um emblema e, dormindo atento acordei sem entender. O emblema parece não me pertencer – essa não é uma informação confirmada, nada é confirmado –, mas como sempre está aqui dentro do mundo, o mundo sou eu. Não sou inimigo de mim nem mesmo teu, não sou o realce do medo, essa face de meu lado obscuro esfacelou-se no chão.
Devo ser talvez alguma parte perdida de uma face distinta de dentro de meu coração que insiste em se recuperar. Até parentes próximos da idiossincrasia consultei mas, seria muita pretensão estabelecer uma certeza. Nós somos o que guerreamos dentro de nós, o que somos capazes de entender e duvidar, de contestar. Somos um misto do nada e do mundo, do tudo e do absurdo. Sei que não tenho dúvidas, mas as certezas estão bem longe de mim, a dois passos no escuro, quando se encontra o clareado. Mas não confunda isso como uma tentativa desesperada de nomear o absurdo! Não é isso! Quando digo que não tenho dúvidas evidencio que elas sumiram porque se tornaram minha curiosidade e anseio latente.

20 Junho 2009

Sei Lá!

É tão bom falar comigo, tentar procurar o desconhecido em mim.
Eu busco equilíbrio, até o fim. Se bem que não sei se o fim existe, mas se existe certamente está dentro de mim. Queria eu fazer o que sempre quis, achar o que me faz falta, mas percebi que essa procura constante é o que me faz acordar. Percebi que minha felicidade consiste no equilíbrio. Mas, a causa de minha felicidade não é algo que eu consiga explicar, não porque não queira, mas porque não consigo, felicidade se sente!

Meu equilíbrio consiste em respirar o mundo em sua total maneira, pelo menos na maneira que me compete.
Respirar! Gritar! Sei lá!

Eu amo respirar vestígios de mundo, encontrar novos indícios, decifrar o indeciso.
Minhas dúvidas e minhas certezas incertas: levo tudo pra longe e perto de mim. Me carrego, me encontro, me perco em encantos e desencantos. Me perco e me encontro dentro e fora de mim.

06 Junho 2009

Cada Um

Minha casa está meio agitada, meio vazia,
Não consigo descrevê-la perfeitamente.
Minha alma inchada não possui respostas,
E não se cansa de procurar.
Eu não sei nem ao menos onde continuar buscando,
Mas certamente vou achar.

Em algum lugar da minha casa está
Algo que não sei se é amor ou ódio.
Nunca deu pra ficar parada olhando o tempo passar.
Eu envelhecendo e ele novinho como sempre?
Onde está minha casa?
Ela reflete em minhas expressões?
E minhas feridas rasgadas, onde se esconderam?
Você me diz pra levantar sem ter noção do quão difícil é,
Mas você está certa,
Eu não vou te dizer adeus,
Porque o mundo está na minha mão.

Eu andei e parei para refletir,
Para me responder em momentos indecisos,
Eu constatei que todos os dias é uma luta,
Luta incomum:
Procurar sem perturbação a minha casa.
Se vou achar não sei, às vezes a certeza me some,
Mas se eu não encontrar,
Certamente não será porque me abati e desisti de procurar.

Um copo, uma mesa, uma companhia: eu.
Amores e horrores caminham juntos,
É a certeza que me trás todos os dias aqui,
Eu não sei mais de nada,
Mas sei que tudo está aqui.
Minha casa, minhas expressões e minhas feridas rasgadas.

24 Maio 2009

Odeio Interrogatórios

A louça suja permanece,
A parede marcada não cairá,
Parede de meu peito, que cortado está no chão
As cinzas não se espalharam, não desapareceram
Permanecerão intactas no desenho,
No desdenho de meu peito.
Na falta do fôlego só teu ar.
Demasiado e inegavelmente tarde,
Percebi que ninguém é minha vida além de mim.

Eu poderia ter comprado seus vestidos,
Te coberto no sono longo e frio,
Mas não o fiz e foi melhor:
A vida não me prende, nem me solta
Que ela me leve a algum lugar, mas não me assole,
Que não me faça perguntas e jamais será enganada.
Não com mentiras, mas sim com a incapacidade de demonstrar quem sou,
Pois não sei quem sou.

Não sei.
Nem descobrirei.

18 Maio 2009

O título não diz quase tudo, na verdade o título deste escrito nada diz. Porque mesmo que eu escrevesse mil palavras com mil significados diferentes, eu não poderia descrever nem passar o que estou sentindo agora. Estou intacta, estou tirando de dentro de mim um peso que não sei de onde veio, nem sei se vai ter fim.
Um pássaro se esvai por entre meus dedos, que por mais que não tenha perdido, deixei fugir, deixei sair de mim, deixei pela covardia de me ser.
Talvez porque como diz Clarice "ter nascido me estragou a saúde", talvez porque eu realmente não nasci para entender o que me acontece, o que é justo ou o que é pecado.
Eu não nego quem sou, não me exalto, pois o que tomou conta de mim, é nada mais do que um vazio profundo que por mais que eu tente preencher eu vou continuar com medo de perder.
Não é medo de ser feliz nem de arriscar, é que acostumei-me em ser só, de modo que não sei como se conserva quem mais amo. Eu sou tão acostumada a viver comigo mesmo que quando verdadeiramente tenho alguém do lado, tenho medo de perder. E esse medo é que me faz desistir, talvez por amar demais e não entender se posso ou não dar o que se quer de mim.
Eu sou só. Só de mim.

06 Maio 2009

O Mentecapto

O segredo, o ódio da paixão inacabada,
Faz-se de forte, mas no quarto em lágrimas desaba.
Ele já não sabe mais escrever a sua sina,
E em teus olhos brota o corpo penetrante.
Que em fogo ardente faz gelar os teus conselhos,
Calou a boca, o coração e a cabeça,
Por covardia ou por falta de coragem,
Não foi fiel quando trovou o que enseja.
Largue o mundo e ponha as cartas sobre a mesa.

Abra a boca, o coração e a cabeça.
Lave o rosto e dê dois passos indesejados,
Que intemporal idade não saber o que dizer,
Mas não é condenável não ter como fazer.
Dê a glória aos que pelo menos tentam,
Muitos acabaram e morreram por morrer.

30 Abril 2009

Poema Vazio

A estrela cadente se curva deprimente,
No fóssil, no ócil de se estar ausente

Não se enxerga é, um traço do passado,
Que comumente pensa estar inacabado

E, com efeito, o que se irá dizer?
Quando fecharem as portas e não restar que fazer?

Nos interstícios do homem sem razão,
Quem é que condena, e quem faz a exaltação?

Dê a vivacidade merecida à loucura estrelada,
Pelo fato comum discutido nas calçadas.

E não pense que falar é deprimente,
Pior que isso é estar sempre ausente.

E aceitar só falar o tempo inteiro,
É acabar o seu seleiro, é desespero.

20 Abril 2009

Um Recipiente

Sem entender onde está o crime, quem ama ou finge se esvai. Onde estaria meu eu nesse instante? Por trás de algum dia perdido – isso é impossível – porque por mais que um erro seja cometido ele o foi, e o dia bem ou mal lhe serviu. Não seja servo dele.

Estou me reiventando a cada instante, regido pela sorte e movido pelo acaso, o entorpecente do não entendimento e do lapso que me foge e não regenera.

19 Março 2009

A Fúria da Enxurrada

Tudo começou quando perdi a companhia que alegrava meu espírito.
Alguém que estava em mim. Não há mais ninguém que sobreviva a fúria da
enxurrada que por todos os dias celebra nossos anos de casamento.
Eu desprezei minha emoção, caminhei por ruas escuras, eu pensei que
alguém fosse chegar pra segurar a triste fúria. Fui incompleta, só.
Não importa mais nada, alguém quer se dividir,
Só há um motivo que me prende aqui,
Isso não é algo que eu possa explicar.

14 Março 2009

5° Parte

Feliz dia da Poesia!





Viva!

Ínfimo

Usa, abusa
Dos costumes infame,
Como é bom ser ínfimo.

A crítica da atração me governa, me guia.
A ira da destruição.
Não me leva. Nem eleva.

Não uso de segredos meus,
Descubro os teus.
Chantagem.

Ato puramente,
Deprimente,
Deslustrado.

Alma lapidada.
Na arte,
Conspurcada.

04 Março 2009

4° Parte

Vou escrever hoje sobre uma resposta do meu escritor favorito, Affonso Romano de Sant'Anna à uma frase do poema "Saga n° 1 ou Endereço do Elo Perdido", escrito por mim:

"O silêncio pode ser proposital mas, também pode assumir o papel de pensamento profundo e distração. É, sempre necessário viver consigo mesmo, por alguns instantes é imprescindível a solidão". (Keidy)

"Uma coisa é o silêncio do sábio outra o vazio do tolo". (Affonso)

Arranjando-o:

O silêncio pode ser proposital mas,
Também pode assumir o papel de pensamento profundo e distração.
É, sempre necessário viver consigo mesmo,
Por alguns instantes é imprescindível a solidão.

Calou a boca, o coração e a cabeça,
Por covardia ou por falta de coragem,
Não foi fiel quando trovou o que enseja.
Largue o mundo e ponha as cartas sobre a mesa.

Uma coisa é o silêncio do sábio outra o vazio do tolo,
Mas não é condenável não ter como fazer,
Dê a glória aos que pelo menos tentam,
Muitos acabaram e morreram por morrer.

02 Março 2009

A Confusão e o Abstrato

Responda-me quem sou, pois eu não sei, ou talvez saiba. Não, não sei!
Eu não suporto o barulho culminante do universo em crise que aponta no fim de cada dia. Dói escutar o barulho do silêncio e o silêncio que vem com tantos gritos. É que eu não sei fazer outra coisa, nem sei do que na verdade sou capaz de fazer, e até onde posso sonhar sem que esses desejos não se tornem mais um capítulo do que não suporto mais ver.

11 Fevereiro 2009

Saga n° 1 ou Endereço do Elo Perdido

Antes de mais alguma coisa, o elo perdido continuará perdido no final desse texto, portanto sinto muito se é esse o objetivo com a qual o lê. Estou procurando o endereço desse e segue os fatos:

Caminhando por entre estrelas promíscuas
(Promíscuas pois quando perguntei
Sobre sua origem e vida obtive
Um silêncio acolhedor de mais dúvidas).

Talvez seja isso a parte profunda do ato de ser
(Talvez seja antipatia por natureza,
Ou simplesmente um momento mágico
de ter apenas uma companhia: a sua própria).

Não sei mais, tenho duas teses para a indagação do eu.
(Prefiro abandoná-las antes que meu senso
Ou a falta dele me tome por completa e intuitivamente,
Relatando fatos preciosos ou descartáveis).

Caminhando por entre cacos e sem cicatrizes
(Consiste no ato de ser forte na madrugada só,
Antes que a explicação se perca
Em um regime de aspereza, na luz acesa que nada clareia).

Devo dizer que tudo isso se trata de noção,
(De quem se é, de quem não consegue entender o que se é.
Falo da introspecção máxima do natural
Esqueça o mundo e perceba: tudo está em alguma parte de você)

A teoria abordada sobre a busca do eu chegou as primeiras conclusões:
- O silêncio pode ser proposital mas, também pode assumir o papel de pensamento profundo e distração.
- É, sempre necessário viver consigo mesmo, por alguns instantes é imprescindível a solidão.
- A conclusão é a dúvida.
- É preciso de calma para enxergar a força que está em você, é possível colocar o mundo na palma da mão, não que ele seja pequeno mas é evidente que você o carrega nas costas (não falo da idéia de fardo. O mundo não é um fardo, o mundo é o que você o torna intimamente).
Tudo está em você.

31 Janeiro 2009

O Não Entendimento

No meu palco, o tempo, a distância, alento.
Escrevendo, fazendo de mim mais forte que o vento.
Gritando ao mundo que há em mim,
Nada está ultrapassado, nem o tempo.

Tudo é muito curto, um vestígio de eternidade
Um beijo, abraço, paixões inexplicáveis,
Racionais. Dei-me conta de minha racionalidade,
É essa é a melhor sensação que existe.
Mesmo sabendo que não tomo conta de mim,
É muito bom saber que ninguém me tem.
Ninguém mesmo.
Nem eu.

Porque tudo é muito frágil,
Tudo se detém,
Mas tudo é ninguém.

Porque o universo está dentro de você,
Basta descobrir o lugar.
E até lá, permanecer sem entender,
Bom mesmo é achar que sabe de quase tudo,
E se surpreender um pouco,
Quando se descobre que não se sabe de nada.
Isso é não entendimento,
Visão que se aplica e te faz feliz.
 

Keidy Lee Jones © 2009. Chaotic Soul :: Converted by Randomness