29/01/2012

(Des)luto

“Erva Venenosa (Poison Ivy)” é quarta música do disco “3001”, lançado no ano de 2000, de Rita Lee Jones. Foi a primeira canção que escutei da maior diva do rock brasileiro. Começou, então, algo maior que um casamento, pois sempre tive a garantia de fidelidade. Isso só parte de mim. E sou segura do que sinto sempre que sinto. Alguns momentos foram de profunda loucura e idolatria, em outros estive mais contida, mas não com menos loucura. O grande problema é que nunca havia imaginado que Rita Lee existia de verdade. Como disse Lispector um dia: “a vida é sobrenatural”, e foi assim que sempre vi a minha diva Lita Ree. Para minha surpresa – Susto! – Descobri que ela é real na última música de seu primeiro show que assisti. Aquele solo de “Ovelha Negra” é tão surreal que parece mentira. Aquilo arrepia a alma. Ela existe. Sou “fãmília” de alguém de verdade, como se um dia eu tivesse duvidado de minha imaginação...
“São coisas da vida e a gente não sabe se vai ou se fica” são dizeres de minha canção favorita. E advinha quem canta? Mas não há luto na música e muito menos em mim. É mais que um casamento, não?
Quaisquer outras palavras cairiam mal, não é possível descrever o sobrenatural. São coisas que só quem sente sabe como é. E eu sinto, sim! Sinto Rita Lee.

Keidy Lee.

31/12/2011

A minha versão dos fatos

Raros senhores de súbitas constelações,
Brindem-nos com seus nervos de aço.
Claros rumores que contaminam audições,
Façam-nos uma poesia, estendam o braço.

Digam sim! E como tapete ouçam alucinações,
E com explosão rompam com o antigo laço.
Abram-se e escutem o mar de maldições,
Das quais ela nos faz participar com um rígido traço.

Talvez suas atitudes façam com que a amemos
Mas pode ser que nada nos faça sentir.
As suas pegadas fazem com que a odiemos.

E seu passado de dor inaudita no faz agir.
E não há mais nada a dizer. Reclamemos!
Mas a lei é que choremos quando devemos sorrir.

07/12/2011

No barulho do vento da noite

A noite arrependida
Foi arrebatada pelos vestígios.
Confusão! Palavras inauditas.
A insensatez maligna,
É suspiro distante da face.

As moradas possuem o doce tom do silêncio,
Nas entranhas o soluço é o som primordial
Razões tenebrosas de emoções espaçadas.
A força nada mais é do que a falta de medo.

As nuvens caem
E sopra o barulho do vento da noite.
Entre suspiros e desejos escondidos,
Aparece no cenário o casal de apaixonados.
Beijam-se e se abraçam ardentemente.
E morrem juntos no cenário real da peça imaginada.

02/11/2011

Ela por ela mesma

Ela escutou os ruídos em uma rua vazia.
Eram os traços infinitos de um dos seus passados.
E ela cantava loucamente querendo chamar atenção,
Mas não a escutavam, nem a voz tampouco o coração.

Triste destino se a banca julgadora da vida fosse normal,
Mas ela é sua deusa e preza pela solidão.
Para falar a verdade, nem sabe o que é solidão,
Quem sempre viveu só não pode sentir falta de alguém.

Ela não conheceu o outro, sua alteridade é ela mesma.
Não conhece rostos, sorrisos falsos nem verdadeiros,
Mas se conhece como ninguém.
E o melhor é que para ela não existem defeitos nem qualidades.

Ela é o caminhar sozinho no meio da chuva da noite,
Ela é a entrega ao nada debaixo do sol escaldante.

22/10/2011

Hécate

A escuridão lhe contempla,
E tons de vinho se aproximam.
Senhoras aparecem, mas três a afugentam.
Na luz do sol ao meio-dia,
Ouviu os gritos, mas não viu a face.

De insatisfação é coberta,
E então os três aparecem.
São seus fieis companheiros
Na exatidão da encruzilhada.

É monstro na face.
É racional internamente.
A invocação na hora da magia
Faz-lhe rainha na hora errada.

Não há misericórdia alguma.
Mas há uma perdição qualquer.
É um lugar distante,
Mas que não aparece apenas em noites de fantasmas.

Os pontos são lacunas

Ela é personagem principal de uma vida coadjuvante.
É motivo de orgulho, mas só pra ela mesma.
Anda desfigurada, mas se acha muito bonita.
É adepta da ideia de que a beleza vem de dentro.

E quando consegue uma felicidade qualquer
Não consegue aproveitar,
Pois pensa no que ainda tem para fazer.

Ela não vive os momentos,
Ela vive do futuro que para ela já existe,
Mas todos sabem ser utópico.

Ela bebe sozinha por falta de amigos.
E só bebe acompanhada quando paga tudo.
E só está acompanhada quando desperta um interesse qualquer.

Só não entendo quais!
Ela não é bonita, não é inteligente,
- E rica?
- Não, não é.
Pode ser facilmente substituída,
Mas raramente é chamada para compor sequer a reserva.

Ela não é sociável, não sabe contar piadas,
Mas deve ter lá seus atrativos,
A vida seria muito injusta se lhe privasse de pelo menos um sorriso forçado.

E ela ainda morre de satisfação,
Pois o que não morre é a insatisfação.

19/10/2011

O diálogo da não interpretação

Essa é uma poesia de...
Dominação!
Parece tendenciosa...
E é!

O diferente (que é singular)
Sempre domina os iguais (toda a unanimidade).
A unanimidade é cega.

Do que se trata esse texto, então?

Os versos não rimam,
Não estão organizados,
Não se combinam,
E não são bem tratados.

Frases expostas,
Sem nexo algum,
Situações desligadas
Frases compostas e
Anexadas.
Figuras interligadas,

Rimas mal feitas,
Situações imperfeitas.

E até a rima mais previsível foi usada nas duas estrofes anteriores.

E no fim, há mensagem?

O diferente (que é singular)
Sempre domina os iguais (toda a unanimidade).
A unanimidade é cega.