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Respira

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E o que é o passar,

Senão desacreditar de quem devemos acreditar?

Ou mesmo apreciar o tempo com alguns em minha volta?


E o que é viver,

Senão amar e ter um pouco de amor de volta?

Ou de repente um pouco de amor em troca?


E o que é respirar?

E o que é pensar?

Quando penso é que respiro,

Mas quando respiro não penso.

E quando penso não respiro,

E quando respiro é que penso.




Gorjeta sentimental - Puzzl

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Eu não nasci pra viver de gorjeta;

Eu também não pego gorjeta pra viver.

Eu vivo contra todos os fantasmas;

Morro contra todas as vivas almas.


Eu sou um Puzzl.

Renasço como quem não morreu,

Me crio como quem nunca fui eu;

E vivo como quem se reestabelece.


Do raso e do meio,

O profundo acontece.

Do alto, sagrado, quem fala

Merece.

Quem sente falta,

No fundo, obedece.


Obedece.

Que mundo é o meu?

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Que mundo poderá ser o meu se a única possibilidade sou eu mesma?

Imensidão*

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Estou segura que,
Para cada gota,
Para cada gota que cairá,
Uma nova flor nascerá,
E, sobre esta flor,
Uma borboleta voará.

Estou segura que,
Nesta grande imensidão,
Alguém pensa um pouco em mim
E não me esquecerá.

Eu sei,
Que toda a vida sempre só eu não serei,
E um dia encontrarei
Um pouco de amor também para mim,
Para mim que sou uma nulidade
Na imensidão.

Sim,
Eu sei.
Que toda a vida sempre só eu não serei,
E um dia eu saberei,
O que é ser um pequeno pensamento
Na grande imensidão,
Acontecerá.

Na imensidão.
Na imensidão.

*Tradução feita por mim da música italiana "L'immensità", da banda Negramaro.



Vício

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A fraqueza é um vício ou o vício é uma fraqueza?

O Um e o Múltiplo

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1. Essa é uma poesia do fundo de minh'alma.

1. Caminho com meus dedos sobre os caminhos
2. das incertezas que me regem.

1. Não sei qual é a cartada certa,
2. Mas sei que figuras se misturam
3. Como doces casais extenuados.

1. Não sei qual é a jogada decisiva,
2. Mas sei que existe um futuro incerto,
3. E por ser imerso em surpresas
4. Faz de mim alguém temporariamente deserto.

1. E no silêncio de um desertor culpado
2. Por seus vícios e vontades sóbrias,
3. Atiro-me do alto de um precipício
4. Para a obscuridade de seu coração
5. Em uma noite sem lembranças.

1. E minhas memórias já não me condenam,
2. Embora não concorde com todas elas
3. Foi por elas que cheguei até aqui.
4. E até uma frase piegas é para mim
5. O brilho de uma atitude qualquer.
6. Os "qualqués" são tão fundamentais.

1. Quem não sabe o que é amor
2. Se compara a uma pedra.
3. Mas quando saímos de uma relação feroz,
4. Que nos mata e destrói
5. Com intensidade semelhante
6. Ao que de bom nos trouxe em seu princípio,
7. Não temos vontade de repeti-la.

1. E quando percebemos que o que achamos ser mal
2. Insiste em superar o que queremos preservar
3. (Isso chamamos de bem),
4. Então é hora de libertar-se a si próprio,
5. Para depois acabar com o outro,
6. Mesmo que sem querer.
7. E quando finalizamos as relações passadas,
8. Significa que estamos bem.

1. Um antigo ditado latino nos diz:
2. "Vence duas vezes quem vence a si mesmo".
3. Mas perde quem não consegue se fazer indispensável.
4. Porque as mais cruéis dependências
5. Estão fadadas a finitude.
6. Há frases (fases) de um livro (da vida)
7. Que imploram por um ponto final.
8. E a humilhação de outrora
9. Agora é um lampejo de respeito a si próprio.

1. E o que esperar do futuro se sou seca?
2. Simples! Nada espero do amanhã,
3. Amanhã que espere de mim (não por mim!).
4. Porque se a minha boca ficar muda,
5. Meus pensamentos irão gritar.
6. Não espero nada, não gosto de atrasos.
7. E de mim só se sabe da importância
8. Noticiada aos cinco ventos como um murmúrio.
9. De mim só se sabe que sou indispensável.
10. Indispensável para mim.

A minha versão dos fatos

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Raros senhores de súbitas constelações,
Brindem-nos com seus nervos de aço.
Claros rumores que contaminam audições,
Façam-nos uma poesia, estendam o braço.

Digam sim! E como tapete ouçam alucinações,
E com explosão rompam com o antigo laço.
Abram-se e escutem o mar de maldições,
Das quais ela nos faz participar com um rígido traço.

Talvez suas atitudes façam com que a amemos
Mas pode ser que nada nos faça sentir.
As suas pegadas fazem com que a odiemos.

E seu passado de dor inaudita no faz agir.
E não há mais nada a dizer. Reclamemos!
Mas a lei é que choremos quando devemos sorrir.

Ela por ela mesma

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Ela escutou os ruídos em uma rua vazia.
Eram os traços infinitos de um dos seus passados.
E ela cantava loucamente querendo chamar atenção,
Mas não a escutavam, nem a voz tampouco o coração.

Triste destino se a banca julgadora da vida fosse normal,
Mas ela é sua deusa e preza pela solidão.
Para falar a verdade, nem sabe o que é solidão,
Quem sempre viveu só não sabe o que é sentir falta de alguém.

Ela não conheceu o outro, sua alteridade é ela mesma.
Não conhece rostos, sorrisos falsos nem verdadeiros,
Mas se conhece como ninguém.
E o melhor é que para ela não existem defeitos nem qualidades.

Ela é o caminhar sozinho no meio da chuva da noite,
Ela é a entrega ao nada debaixo do sol escaldante.