Desempenhar

  • 17
Você alguma vez se perguntou por que
Faz sempre aquelas mesmas coisas sem gostar? _Raul Seixas


Uma linha que cruza um canto distante,
Um canto do fundo de alguém que nunca vi.
Uma linha que se nota de longe,
E não se consegue decifrar.

Ela não consegue compreender coisas óbvias,
Talvez coisas óbvias não existam.
Ela escuta um som suave, e pode até imaginar
Que coisas leves podem ser pesadas.

Uma linha que continua indecifrável,
Não tão contínua...
Uma linha que cruza um canto distante,
Um canto do fundo de alguém que nunca vi.

Uma Fala

  • 7
Você lembra o cheiro do mar,
Você lembra.

Você é agora tudo em que eu acreditava há um tempo,
Pensei que fosse me ler em alguém
Então, ganhei de uma nova paixão,
Um gosto de nova ilusão, que não aconteceu.

Evitei o esplendor de senti.

Você é como flor dos trigais,
Tanta humildade trás.
E você jorra da minha boca de paz, intuitivamente,
Teu suco doce tomei
Pensei... eu pensei na tua boca novamente
Eu pensei em me fantasiar de forte
Eu andei pelas ruas, pelas praças.
Empata-me de andar.
Só quero sentar e pensar no teu jeito doce,
Na viva realidade que nunca havia provado.
Na pura, boa meninice que seu figurino me disse.

Olhei bem no fundo do mar
Eu fazia de tudo para você olhar distante também
E mesmo de longe enxergamos toda a verdade completa
Que está...

No mesmo bonde
Lá no infinito onde nosso amor não mais se esconde.

Aproximamos as mãos, então
Em nada mais consegui pensar, não consegui tentar.

Em pouco nenhum
Comecei a voar, só de imaginar a doce paixão que ali estava por enraizar.
E mesmo só tocando nas mãos,
Havia luz nos teus olhos que vinha para os meus,
E dos meus para os seus,
Era mesmo amor, com muito pudor, respeito e sintonia.

Minha boca agora está
Com o gosto doce da brisa do mar, do ar, do mar, do ar.

As Pedras Choram...

  • 10
Eu só queria te contar,
Como pretendo terminar aquela velha canção.
Aquele tema usual, feriu-me todas as emoções
As que não temos e as que já vivemos.

Já escrevi conversas,
Do que sinto transparecer nos interistícios do vento.
E, nem a ameaça vai derrubar nossa casa trincada,
Nossa canção murmurada.

Como um pouco, uma faísca da parte que nao se entendeu de nós
Ameaçava de repente acabar com a parte verdadeira de nós?

Descobri que eu ando sem poder mais entender.

Experimental

  • 15
Nada é melhor que te espiar, decodificar suas expressões e transformá-las em melodia feliz para invadir meu peito.

Você disse: - Eu sei.
Eu confirmei: - Eu sei, tão grande amor, experimentei.

Não é bom te ver partir, mas tudo se transforma quando você ameaça voltar.

E uma melodia suave aponta em tudo o que faço.

Uma Estrela

  • 13
Ela abre à janela a noitinha pouco antes de dormir, ela vê todos os dias se passarem por ali, e, no mesmo lugar de sempre em tempos diferentes. O tempo muda tudo, ou parte de tudo, sequer alguém percebe.
Nas noites chuvosas ela não a vê, não vê a estrela que brilha por trás das nuvens, e, não se vê brilhando mesmo quando quase se encontra apagada. Mas, foi nesse dia que ela percebeu, que mesmo apagada para os outros, a estrela continua acesa em si mesmo, e a neblina não destrói isso.
Mas ela prefere observar a estrela. Iluminando a chama do mundo à noite. Brilha mais do que as luzes da cidade – que poucos olhos vêem –, ela brilha para o mundo.

Isso não é para fazer pensar, é simples como a estrela que a noite despontará.

A Abertura e o Acabamento

  • 14
Num belo dia as coisas começam,
E é lá que elas terminam,
Minando lentamente o tempo,
Até que tudo não mais se agüente e resolva mudar.
Ou permanecer.

O Costumeiro

  • 11
O “desavesso” costumeiro é apenas imperial,
Veja bem, apenas imperial.
O destrato usado na confissão dos pecados,
É “desracionalizado”, amoral.

A quartinha que tirou a sede quis com isso retirar,
O seu totalitarismo,
Pense bem, você tem?

Segurei-me na torrinha até tudo isso se resolver, até dizer,
E você?