Mais dúvida

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Minhas dúvidas caminham a poucos centímetros de um lugar sem nome.
Eu não tenho nome.
Eu sou o meu lugar no universo;
Meu espaço é minha abstração.

Dúvida

Olhos para ver o mundo,
Ouvidos para ouvir música,
Ou coração para escrever poesia?

Isto tem um nome

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As palavras ditas sufocam caladas
Àqueles que as escutam gemendo de dor.
E todo sufocamento também é um erro,
Tal como quando dissemos o que não pensamos
E como quando pensamos e não dizemos.

É no erro que os acertos se iniciam,
E todo fim de prisão é seguido pelo ar.
O respirar e o aspirar de novas receitas,
Que de tão planejadas, de tão desejadas
Passam a ser fórmulas subjetivas.

O ar que me segue é o mesmo que me devora;
A tela branca na qual sou pintada
Espalha formas pitorescas do desconhecido.
O desconhecido revisitado em velhos cantos
Que emanam ensejos das palavras silenciadas.

E todos tem na vida, pelo menos, um desejo:
O meu é de falar baixo aquilo que grita o coração.
É internamente que supostamente me acho
E externamente quero me perder na razão de lhe ter.

Efêmero

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E quando tinha pouca idade física eu escrevi que “gostar é efêmero”, mas nunca soube o que é uma coisa efêmera e também não pesquisei, pois se pesquisasse eu tiraria dessa frase o mistério do qual preciso para viver. É efêmero, mas pouco importa o que é efêmero, o que importa é o que é. E sou. E se ganho sorrisos é porque de graça é que as coisas parecem mais sinceras.

A caminhada

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O que me move é a insatisfação.

Cronos ou Kairós?

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Talvez nosso tempo já tenha passado.

Entre a posse e a contemplação
Escolho lhe contemplar.

E nosso tempo talvez ainda esteja por vir.

A contemplação me parece mais eterna
Do que a companhia do que é real.

Talvez nunca tenha existido.

O que é real é composto de matéria,
Ainda que seja uma matéria imaginada.

Tampouco venha a existir.

E a realidade é a eterna solidão.
E estar em segundo lugar me permite almejar o primeiro.

Talvez minha alma já respire nosso tempo.

Se estivesse em primeiro, só poderia pensar em cair,
E em qual lugar?
Prefiro a falta de lugar em vez da rigidez sob meus pés.

E(u)rro(ei).

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Eu, filho da vítima que sou e do assassino de mim mesmo.
Que sou eu além do orgulho insuspeito estampado na face?
E o tempo me diz:
- O que fazer, o que pensar de errado?

E, de vez em quando, gosto de pensar que sou importante:
Sou o principal em alguma coisa perdida no tempo estranho de minha mente.
- O erro sou eu.
Sou a representação inquieta e quase apostólica do erro.

Dizer que até o errado é muito para mim é errado também.
E é errado porque de tanto saber de minhas linhas descompassadas
Percebi que de fato elas existem.
Sou dois:
Sou o maior erro e a maior percepção do erro.