Ir

  • 0

 Queria ter o dom de um poeta ou de um pintor...

Queria poder emoldurar tua face para todo o sempre, com algumas incertezas.


Tu és um furacão que eu nem vejo acontecer;

Que eu sinto muitas vezes que não é pra valer.


Queria entender tantos pormenores,

Mas o fato é que eu mal entendo tuas vírgulas,

Tão cientes que eu não ocupo tua vida.

Não entendo.


Minha incerteza às vezes encabula,

Mas, de certo, sabendo que nada muda,

Eu deva me deixar ir, como estou indo, a cada dia.


Ir, nada mais é do que uma ação.

"Vamos embora" é um ato.

Simbora, um fato.

Respira

  • 0

E o que é o passar,

Senão desacreditar de quem devemos acreditar?

Ou mesmo apreciar o tempo com alguns em minha volta?


E o que é viver,

Senão amar e ter um pouco de amor de volta?

Ou de repente um pouco de amor em troca?


E o que é respirar?

E o que é pensar?

Quando penso é que respiro,

Mas quando respiro não penso.

E quando penso não respiro,

E quando respiro é que penso.




Gorjeta sentimental - Puzzl

  • 0

Eu não nasci pra viver de gorjeta;

Eu também não pego gorjeta pra viver.

Eu vivo contra todos os fantasmas;

Morro contra todas as vivas almas.


Eu sou um Puzzl.

Renasço como quem não morreu,

Me crio como quem nunca fui eu;

E vivo como quem se reestabelece.


Do raso e do meio,

O profundo acontece.

Do alto, sagrado, quem fala

Merece.

Quem sente falta,

No fundo, obedece.


Obedece.

Uma audácia

  • 0

Gostaria de entender o que aqui se passa.

Sinto absurdas saudades do passado,

Mas sinto absurdas vontades de futuro.


Sinto que existe uma incessante luta

Pelo que se passou e o que hoje se apresenta.

Algum tipo de querela e disputa

Que a minha solidão às vezes ainda inventa.


Gostaria de romper passados,

Futuros subversivos e adversos.

Transformar toda essa vontade

Sem abcessos; libertar-me dos excessos.


Gostaria ainda de inventar;

Ter a audácia de fazer algo.

De repente me soltar...

Sem pensar.

Ciúme

  • 0

Nada mais poético do que o ciúme;

Jamais abrirei mão de o sentir.

Jamais abrirei mão de sentir.


A minha vida é um quebra cabeças ao contrário

Acontece em algum lugar onde o sentimento é raro.

Um quase soneto ao contrário

  • 0
Um sentimento sem sentido
E, quem sabe, talvez até autoritário
A alegria na ausência do sorriso

A mergulhar em rio raso
Uma vida plena de estímulo
Que, de certo, engana até o pecado

Que me obriga austeramente a mentir
E do perdão me faz cordialmente desviar
Ainda bem! Não nasci pro céu, devo admitir
A salvação talvez seja me desviar

Quem sabe hoje posso fingir
O óbvio talvez possa desmantelar
A revolução de vermelho tingir
Pra nessa confusão me (des)enquadrar

Aborto

  • 0

 A vida é um aborto

O resgatar de uma confusão


Um ato de desistência

Um ato de resistência

Um ato de insistência


Então é renascimento.