A Abertura e o Acabamento

  • 14
Num belo dia as coisas começam,
E é lá que elas terminam,
Minando lentamente o tempo,
Até que tudo não mais se agüente e resolva mudar.
Ou permanecer.

O Costumeiro

  • 11
O “desavesso” costumeiro é apenas imperial,
Veja bem, apenas imperial.
O destrato usado na confissão dos pecados,
É “desracionalizado”, amoral.

A quartinha que tirou a sede quis com isso retirar,
O seu totalitarismo,
Pense bem, você tem?

Segurei-me na torrinha até tudo isso se resolver, até dizer,
E você?

Tudo Como Foi, É

  • 10
Tudo começou quando o jogo se perdeu.
Quando todos descobriram o que havia na embalagem,
Quando todos planejavam e foram descobertos.

Tudo continuou quando o punhal não quebrou,
A embalagem não se rasgou,
A derrota não veio, mas no fundo já havia chegado.

Tudo terminou quando eles foram humilhados,
E jogados ao chão descobriram a cara,
Tiraram o véu e de lá saiu uma alma indiscreta.
Saiu a solidão sozinha.
Mas eles não foram humilhados.

Vago Caminho

  • 10
Vago caminho,
Como se em todo caminho houvesse direção.

A pétala que é vistosa,
É a mesma que se esconde,

Salvos pelo tempo, enganados pela ocasião.
Entre um e dois há uma separação.

A diferença entre o remédio e o veneno é a dose,
Entre a razão e o coração é que ele se move.
Entre o caso e o acaso
É que um é desvio, o outro é destino.
A diferença entre ter e não ter é a questão.

Vários destinos como se em algum morasse um coração.

Borrasca

  • 11
Vício não é necessidade,
Nem todo maremoto
É resultado de uma tempestade,

Há o que se ver e há o que não se ver,
Há o que se ter e o que roubar.

Há o que se viver e o que se conservar,

Há a diferença,
Que é para ser intensamente trabalhada,

É bom que exista a diferença,
Mas que não a confundam com o preconceito.

Uma Poesia de Amor II

  • 10
Desde que ti vi, fiz,
Poesias para te alegrar,
E fiquei feliz,
Quando você falou que bastava eu te olhar.
E vivemos em alegria constante.

Uma Poesia de Amor - Primeira Parte

Desde que ti vi, ando,
Mesmo sabendo voar,
Não que seja difícil te levar,
Não é. Você é parte de mim.
É que é bom poder tocar nas flores.

A Confusão e o Abstrato

  • 9
Responda-me quem sou, pois eu não sei, ou talvez saiba. Não, não sei!
Eu não suporto o barulho culminante do universo em crise que aponta no fim de cada dia. Dói escutar o barulho do silêncio e o silêncio que vem com tantos gritos. É que eu não sei fazer outra coisa, nem sei do que na verdade sou capaz de fazer, e até onde posso sonhar sem que esses desejos não se tornem mais um capítulo do que não suporto mais ver.