Um Par de Pegadas

  • 2
Mas há, no fim do mundo algo que possua razão, e isso me rege, não há uma lei e essa eu sigo. Há uma linha que cruza o canto mais silente de minha mente.

Lugar parado, estático, que finda acabando comigo.

Desapareço, alegro-me ou entristeço. Razão acabada, paciência esgotada.
Vida sumida nos rastros da loucura comum que passou e que voltará, rastros incapazes de se entender, de se explicar, de se ler, de se falar.

Rastros apagados com a sombra de um olhar, outro olhar, o que falar?

Rastros apagados buscando razão que não existe nas curvas de um canto distante que mais se parece uma lei morta que não seguirei, nem serei seguido.

O Homem e o Sábio

  • 5
Em um dia de sol forte
Chegou um homem a um sábio:
- Eu queria muito aprender a amar,
Sempre que conheço alguém sofro com o fim,
Ontem o amor mais uma vez se mudou de mim.

O sábio não sabia o que falar,
Mas pensou, titubeou e falou:
- O mais frio dos homens já amou,
O mais apaixonado também,
O mais frio sofreu e o outro também.
Mas ambos só amaram uma vez,
Se o amor se mudou e não ameaça voltar
Então não era amor.

Sou chamado de sábio e não sei o motivo,
Já amei e já sofri,
Muito estudei e aprendi com a vida,
Mas nunca consegui entender o amor,
Amar ultrapassa qualquer palavra,
Qualquer gesto que não seja o olhar.

Amar ultrapassa qualquer entender.

Selva de Almas

  • 3
Os sonhos acabados foram aqueles vastamente pensados e que agora são restos do que não existiu, palavra mal escrita, caminhos mal traçados. Sonhos são tentativas frustradas de mudar o destino, são chicotadas, são dores impossíveis. Sonhos são restos do que não se pensou, do que muito se desejou e nunca se possuiu.

É que às vezes eu gosto de andar por ruas proibidas, para descobrir onde se encontra o resto de minha alma perdida.
E é verdade que algumas coisas só fazem sentido para algumas pessoas, e isso não é menos importante.
É que às vezes falamos coisas sem sentido futuramente corrigidas, ou não. E a verdade é que menos pior seria se as pessoas fossem dotadas de algo loucamente chamado de compreensão. Loucamente porque as pessoas querem ser compreendidas, mas nem sempre são capazes de se entender. Loucamente porque elas mesmas se entediam e querem parecer agradáveis aos olhos de quem ver.

Amor Decadente

  • 1
Amor decadente
É um traço deprimente,
E que se agüente o pior do passado.

Chega de ser pensado
Não cometa mais atrasos
Para não ficar doente.

O que se passou já fez anos
Completou-se ao engano,
Se entregue a confissão.

Já não se escuta o coração
Não siga tanto a razão,
Não deixe passos sem pegadas.

Tudo já Passou

  • 1
Tudo já passou e minha cabeça secou
O mar se alardeou e meu coração falou:
De que adianta ser somente uma promessa recebida?
De que vale qualquer vestígio sem você?

Tudo já se foi, eu fiquei, aqui só.
O dia anoiteceu, minha solidão me visitou.
Sem querer falar mais de amor ela ficou.
Oh todo esse sentir me faz quase desistir sem sentir dó.

Parar de perceber, quem serei eu sem te amar?
O tempo já passou, tudo passou e não consigo mudar.
Porque eu sei, que de seu enigma vou provar.
E se demorar, eu vou esperar, vivo só pra te amar.

Mas enquanto não chegou, o mar secou,
E eu só.
Não existe o que amar, quem amar, só você.

E se demorar eu não vou mais pensar em desistir,
Tantas vezes já tentei, mas só provei
Do que eu já sabia.
Ah! E se demorar mais alto vou gritar,
Minha vida é te esperar.

Ode Noturna

Um pouco de tudo,
De tudo um pouco
Desenhos de mundo
Mudo não estou,
Mas um dia ficarei
E não olharei
Para trás
Porque o trás
Para trás já ficou,
No passado você odiou,
No presente você amou,
No futuro você casou.

Onde estão minhas velhas cicatrizes?

E onde estão minhas velhas cicatrizes?
Bem escondidas e expostas
Derrotadas comemoram a glória,
Cicatrizes que me ensinam
A como agir na hora da vitória
Nunca dantes vista.

E onde estão minhas velhas cicatrizes?
Enterradas no meu peito
Banidas da alma,
E pelo rosto cai a água
Mas o peso me acompanha.

E onde estão minhas velhas cicatrizes?
E onde estão minhas velhas cicatrizes?

Dia e Noite

  • 0
Você é ler história que me prende até o final,
Ler história de amor com os meninos no quintal
Você é o momento que cruza dentro mim
Você é descobrir que nada é tão ruim assim.

Você é está junto e nada parece igual,
O mundo não acabará antes de você chegar.
Você é ter fome, é andar por todo lado,
Até quando saciada a fome dá vontade de comer
Andamos pelos lados sem compromisso algum.

Lembra-se de nós dois lá no clube de xadrez?
Lembra-se do dia que nos vemos outra vez?
Eu nem imaginei que fosse a última vez.

Você é esquecer e não mais recordar
O mundo está lá fora parado para mim
Só há o brilho de teus olhos
Cá estou esperando você vim.

A Rosa

Uma vez quando pensava em você
Pensei que fosses ser minha rosa para sempre,
O inverno caiu e minha rosa escureceu.
Meu coração partiu e se foi junto contigo
O que faço agora para você, são só poemas.
Tanto queria te cuidar amor,
Amor tanto queria passar o tempo contigo
Olhando nos olhos, beijando-a.

Minha rosa se foi tão cedo,
Às vezes dá vontade de partir como você,
Já que não posso ir com você.
O dia é meu inimigo mais cruel
Passa devagar e eu pensando onde poderia está,
Minha rosa se foi tão cedo,
O inverno a levou sem pena de mim.

Uma vez pensei que você fosse para sempre
Minha rosa carinhosa, meu caminho de noite.
Meu amor ficou, você se foi. O inverno levou minha rosa
Deixou minhas lágrimas caírem e se confundirem com a chuva.
Ele não teve pena de mim, e me deixou aqui.
O inverno a levou sem pena de mim.

A noite seria minha amiga calma
Se você estivesse aqui,
Eu iria te ver ai, deitar e rir.
Tua face são meus versos agora
Ainda consigo andar,
Cambaleando e me entretendo com canções tristes,
Como se eu precisasse de canções tristes para chorar.
O inverno a levou sem pena de mim.
Devolva minha rosa,
Teu sorriso para invadir meu peito,
Tua boca, teu carinho.
O inverno a levou sem pena de mim.

Não Adianta

  • 0
Não adianta mais tentar me convencer, não adianta!
Eu vou gritar, vai ver, pois não adianta.
O que se disse não tem como esquecer
Não adianta pedir perdão e achar que estou a mercê.

Não adianta olhar para trás com ares indignados, não adianta!
Eu vou lhe dizer o que tanto me fez, calar não adianta.
O que se disse foi brinquedo que não fez sorrir
Não adianta chegar agora e achar que nada vai acontecer.

Não adianta chorar querida, não adianta!
Fez o que nem um inimigo faz, chorar não adianta.
O que fez foi pisar, amassar e jogar fora minhas cartas
Que a tanto de amor chorara esperando de você alguma lágrima.

O Amor não tem Tempo, não tem Espaço

  • 2
O amor não é apenas um simples laço,
Não se corrompe, não é indigno,
É o único que existe, o fiel.
Se em algum dia deixou de ser assim até em pensamento,
Então não era amor.

O amor é para sempre e é feito de momentos
É eterno, mesmo que o eterno seja apenas agora.
É feito de sorrisos, choros e compreensão.
O amor não é perfeito
Mas ai está tua beleza.
É simplesmente de não se entender que se vive.

O Pulso

  • 2
É o pulso que aflora, a vida que ninguém mais quer ter.
Acabada subitamente a dos que querem viver.

O pulso que me move, é o mesmo que causa a inexpressão.
O pulso da discórdia e do terror interior.

Está o pulso em qualquer lugar.
Está calejado e não pára de chorar.

Enquanto muitos querem morrer,
Uns deveriam estar vivos.

A Busca Profunda do Eu

  • 0
Como se fizesse sentido andar sozinho procurando a beleza na árvore que não canta, que não cala e que não anda. Como se andar fosse cansá-lo a ponto de fazê-lo desistir. Como se o cargo que adotara fosse calmo pra sua época. Ele carregou por longos anos.

Andava agora em busca do elo que deixou para trás em tempo nenhum. Buscando a lisura nos rostos da rua agitada. Ele encontrou.

Ele andava perdido até que alguém o levou para casa. E se deitou em seu colchão se pondo a pensar em fatos vividos. Tomara o café e se pôs a andar de um lado pro outro. Seu lugar não era ali.

O Moço da Esquina

  • 3
Eram seis e meia da manhã, ele estava se aprontando para o trabalho quando de repente escutou lá de fora algo que lhe chamou atenção. Ainda não dedilhou aquelas palavras como deveria e até como desejaria, mas algo em seu mundo parou e andou rapidamente, ele tentara acompanhar, mas de nada adiantava seu sentimento de perda e ganho. Trabalhou introspecto querendo ainda ter o pouco de nada ter. Queria ter o dom, a beleza que jurava estar na casa do vizinho. Ele queria mudar até o dia em que percebeu que não se entenderia de forma alguma. E continuou a viver com o peso silente de existir. Ainda não me contou o que aconteceu, ainda não sei o que havia escutado. Mas ele queria mudar o mundo e de tanto tentar acabou sendo modificado pelo mundo, mas não sobreviveu a tal e voltou a fazer do desentendimento seu fiel companheiro.

Domingo de Manhã

Ela se banhava inocentemente e não previa o que estava por vi, sua nudez deslumbrara sua alma,
Entregava-se ao que só ela entendia. E fazia dos versos uma questão a ser resolvida.
Em um belo domingo de sol viajou até o mar, deixou em casa sua mente e seus pensamentos doentes.
Libertava-se a cada pingo de água, era como se o sal de alguma forma limpasse a menina corrompida inocentemente.
Ela saiu ainda cedo, postou suas pernas cansadas em uma cadeira e respirava livre em outra, passando em seu corpo o óleo das amêndoas que brotaram.
Da janela olhava o mundo estático que apenas fazia sentido no domingo de manhã.
O mundo não a via, ela era apenas a menina que fazia do silêncio sua tristeza.

Inabitado

  • 1
Foram acabados na esquina passada
Todos os sonhos infames e
Foram mortos todos os desejos.
Passados anos, eles se encontraram,
Discutiram o acontecido e o amor foi ressucitado.

Duas semanas depois eles brigaram e romperam novamente
Ela casou-se e ele morreu.

Dentro de si, não há mais o que encontrar,
Nem com ela está sua chama perdida.
Teu coração é inabitado, morto.